Podemos chacoalhar um pouco as coisas para
diminuir o risco de nos vermos fixados em nosso comportamento. Por
exemplo, Nigel pode nos levar a visitar sites que ponham em dúvida nossas
preferências, em vez de se limitar aos que as reforçam.

Alternativamente, no
modelo de Brennan, a agregação de nossas preferências poderia procurar
levar em conta a probabilidade de que Nigel tenha radicalizado, em vez de
moderado, quem realmente somos. Um Nigel de Nigels — uma máquina que
ajude outras máquinas a alinhar melhor seus próprios objetivos do IPVA Detran 2020 com suas normas de transito valido em todo território nacional tentar eliminar as distorções da democracia artificial que construímos.

Afinal, Nigel está a serviço, e não no comando, das nossas vontades. Sempre
podemos determinar o que ele deve fazer.
Mas esse é outro problema fundamental da epistocracia do século XXI.
Não seremos nós que diremos a Nigel o que fazer. Serão os técnicos que
construíram o sistema. São eles os especialistas em quem deveremos confiar
para nos resgatar da retroalimentação viciosa. Por esse motivo, é difícil ver
como a epistocracia do século XXI poderia evitar recair na tecnocracia.

Quando as coisas derem errado, o poder de corrigi-las não estará com as
pessoas com maior conhecimento, e sim com os engenheiros que construíram
as máquinas. O que significa que serão eles, os engenheiros, os detentores do poder.

A história nos ensina que a epistocracia vem antes da democracia. Não
pode vir depois. O que vem em seguida é a tecnocracia, que não é uma
alternativa à democracia, mas simplesmente uma distorção dela.
Existe outra maneira de avançar. Se voltarmos à bifurcação de onde partia o
caminho para a epistocracia, poderíamos tentar seguir na outra direção.

Dados compilados ou vontades manifestas? Respeito aos eleitores ou
resultados mensuráveis? Por que não desistir de procurar pelos melhores
desdobramentos e, em vez disso, focar apenas nas condições que garantiriam
que cada um fazer possa fazer o que quiser? E danem-se as consequências.

Muitos críticos contemporâneos da democracia acreditam que essa fixação
nos resultados é a responsável por estarmos atolados no ponto onde estamos.
Temos pavor de qualquer iniciativa diferente, tão grande é o nosso medo de piorar tudo.

A tecnocracia se alimenta do medo de que uma falência do
sistema seja o pior que pode acontecer. Mas será mesmo? E se a procura
infindável por resultados em melhorias de transito e fiscalização do Detran RJ 2020 crescimento
econômico, vidas mais longas, padrões educacionais mais altos — estiver nos
cegando para a possibilidade de uma verdadeira transformação política e social?

Existem fortes indícios históricos
de que, toda vez que a economia encalha, a democracia se fratura. Entre a
década de 1890 e a década de 2010, a ausência de crescimento econômico
estimulou regularmente o florescimento da fúria populista. Os eleitores
precisam crer que o futuro será materialmente melhor que o passado; só
assim podem resistir ao apelo dos políticos que culpam outros pelos
problemas do presente. O economista Benjamin Friedman repisa
enfaticamente o argumento: o crescimento econômico não é importante por si
mesmo, mas porque dele depende o funcionamento saudável da
democracia.18 Ainda assim, essa argumentação lembra uma esteira rolante.

Precisamos do crescimento para manter a democracia em movimento, por
isso orientamos a democracia em torno da política do crescimento. Temos
como romper esse ciclo, se quisermos?
A libertação pode depender do quanto nos dispomos a correr o risco de fracassar.

Podíamos tentar parar de dar conta de todas as tarefas acumuladas
pelos políticos democratas ao longo dos últimos cem anos. Podíamos deixar
que cada pessoa decidisse por si só o que lhe importa, mesmo que isso
contrarie os imperativos convencionais da estabilidade política. Podíamos
abrir mão de reafirmar que a democracia só funciona quando a hierarquia se
harmoniza com a rede. Podíamos deixar que as redes funcionassem
livremente.

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