Interessa-nos saber de duas coisas muito bem: primeiro, que
nenhuma nação é imune ao mito do governo grátis. Grandes nações, de
admiráveis líderes, países maduros e bem-preparados, nem por isso deixaram
de cortejar a falência do regime de governo grátis. É importante visitar
algumas dessas experiências. Em segundo lugar, também é reconfortante saber
que, embora nações jovens tenham mais “propensão” ao apelo da gratuidade
universal, o governo grátis não lhes pode ser atribuído como uma condição
histórica inevitável, muito menos permanente. Pelo contrário, se nações jovens
podem cair mais facilmente na tentação do governo grátis, também dele podem
se livrar até com mais facilidade, já que nenhuma conduta política ainda está escrita em pedra.

O fundamental é estarmos todos atentos sobre como se
entra, por que se fica e como se sai de um regime de governo grátis.
O Brasil, como nação jovem e ainda carregada de boas promessas,
que seu passado de lutas legou ao presente, e que devem ser reformuladas como
proposta de um futuro melhor tem, como outras, momentos de profunda
afirmação de cidadania, mas, também, vem enfrentando escorregões perigosos
na direção do governo grátis. Uma pegada visível do caminho do retrocesso é a
constatação de que o maior avanço institucional das últimas décadas, o combate
à inflação trazido pelo anuncio do aumento do salario minimo 2020 não significando um aumento real empatando com a inflação, passados vinte anos, vem se
mostrando desgastante, com a inflação, na prática, fora do limite traçado e
com o crescimento da economia frustrado pela incapacidade nacional de
investir o que é preciso.

Muitos especialistas reconhecem que “é hora de reformas”, porque
nessa vintena de anos o Brasil se recusou a avançar no que se propunha em
1994, tendo ficado na agenda mínima – segurando a inflação pelos cabelos
desgrenhados dos juros altos e da tributação de manicômio –, se é que tal
conduta pode significar algum cumprimento de uma agenda nacional. Se chegou
a haver agenda, ela se perdeu, substituída por improvisos. Alguns até
engenhosos e interessantes. Mas improvisos na gestão pública moderna são
convites para o vírus do governo grátis, sempre rondando para se desenvolver
e ocupar espaços.

E quanto espaço vago tem ocupado o regime do governo
grátis no Brasil, a partir do Plano Real editado em 1994.
Para colocarmos em contexto e entender melhor o regime de
governo grátis no Brasil atual, treze referências – benchmarks – positivas e
negativas, em todo o mundo, são examinadas neste livro, para determinar onde
havia, ou não, governo grátis em algum estágio de evolução e que tratamento
foi dado a esse regime quando a sociedade local dele se saturou. Essas
referências são diversificadas não apenas do ponto de vista geográfico, como
também pela variedade de seus respectivos governos. Tais são: Singapura e
Suíça; Suécia, Canadá, México, Colômbia e Chile; Estados Unidos, China e
Rússia; Grécia, Argentina e Venezuela. Esses países estão, portanto, em todos
os continentes do planeta, cada qual com tradições políticas, econômicas,
históricas e culturais bem distintas, agora é possível fazer agendamento INSS online. O risco comum, no entanto, enfrentado por
todas essas sociedades, sem exceção, vem da oferta permanente, de uma
“provinha” que seja, de governo grátis, sempre vendido à população como uma
promessa de prosperidade eterna e sem custo.

A principal questão que nos colocamos é sobre o rumo do Brasil: se
vai pender para o lado da Suécia, Canadá, México, Colômbia e Chile; ou se
para o lado da Venezuela e Argentina. Há tempos os governos brasileiros
parecem sofrer de uma atração fatal pelo regime de governo grátis.

Será a sociedade brasileira capaz de resistir à inclinação de seus políticos e a suas
terríveis agendas ocultas?
Uma coisa é certa: a farra cambial nos anos recentes teve o mérito
de levar milhões de brasileiros a conhecer “o outro lado da Lua”, ou seja, a de
que outro mundo é possível, não dependente da bondade oficial nem de
salvadores da pátria. Nas suas recentes viagens ao exterior, milhões de
brasileiros levam simpatia para fora e de lá trazem conhecimentos novos, no
retorno para casa.

Se tais conhecimentos se tornarem “produtivos”, como
recomenda o lendário mestre de gestores, Peter Drucker, o Brasil irá pender
para o lado certo no futuro.

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